Por Helena Ximenes

A resistência à insulina é uma condição na qual as células do corpo não respondem de forma eficaz à insulina, um hormônio crucial produzido pelo pâncreas. Uma das principais funções é permitir que a glicose (açúcar) do sangue entre nas células para ser usada como energia. A resistência à insulina normalmente se desenvolve ao longo do tempo e em respostas a hábitos como alto consumo de carboidratos simples (açúcares e doces), alto consumo de proteínas (principalmente sem carboidratos juntos) e alto consumo de gordura de alimentos de origem animal, tudo isso aliado ao sedentarismo e estresse. Como forma de proteger o corpo da hipoglicemia (queda do açúcar no sangue), as células começam a não responder de forma adequada à insulina que está mais alta.

Quando a resistência à insulina começa, paradoxalmente, o corpo precisa produzir quantidades cada vez maiores de insulina para compensar, na tentativa de manter os níveis de glicose no sangue em uma faixa normal, e mais resistência as células vão desenvolvendo. Com o tempo, essa sobrecarga pode levar a um aumento persistente da glicose no sangue, o que é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

A hipoglicemia reativa, também conhecida como hipoglicemia pós-prandial, é uma condição em que os níveis de açúcar no sangue caem drasticamente algumas horas após uma refeição, especialmente aquelas ricas em carboidratos refinados. Nesse caso, a hipoglicemia, que é o oposto da hiperglicemia, pode ser um sintoma de resistência à insulina. Como a resistência ainda está em desenvolvimento, em alguns momentos o excesso de insulina consegue agir e a glicemia vai cair de forma mais rápida que o normal.

Como a hipoglicemia reativa pode ser um sinal de resistência à insulina

Para entender a relação, imagine o seguinte cenário:

  1. Ingestão de carboidratos simples ou mais disponíveis: Você consome uma refeição rica em carboidratos simples como açúcar ou doces, ou refinados, como pão branco ou massas que oferecem carboidratos complexos, mas mais disponíveis e se não forem acompanhados por uma fonte de gordura e proteína podem elevar a glicemia mais rapidamente, mas não tanto como o açúcar.
  2. Pico de glicose: Esses alimentos são rapidamente digeridos, causando um aumento rápido e acentuado na glicose sanguínea.
  3. Liberação exagerada de insulina: Em resposta a esse pico de glicose, o pâncreas, que já está sobrecarregado devido à resistência à insulina, libera uma quantidade excessiva de insulina na tentativa de normalizar o açúcar no sangue.
  4. Queda abrupta da glicose: A grande quantidade de insulina circulante age de forma tão potente que remove a glicose do sangue mais rapidamente do que o necessário, levando a uma queda brusca nos níveis de açúcar.

Resumindo:


Essa queda de glicose é o que caracteriza a hipoglicemia reativa e pode causar sintomas como fome intensa, tontura, sudorese, fraqueza, tremores e irritabilidade. Embora possa parecer contraditório, esse ciclo de altos e baixos de glicose e insulina é um forte indicador de que o mecanismo de controle de açúcar do seu corpo não está funcionando como deveria, sugerindo a presença de resistência à insulina.

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Referências

Karakas, S.E. Reactive Hypoglycemia: A Trigger for Nutrient-Induced Endocrine and Metabolic Responses in Polycystic Ovary Syndrome. J. Clin. Med. 202312, 7252. https://doi.org/10.3390/jcm12237252.

Altuntaş Y. Postprandial Reactive Hypoglycemia. Sisli Etfal Hastan Tip Bul. 2019 Aug 28;53(3):215-220. doi: 10.14744/SEMB.2019.59455.

Ilustrações: Canva, Napkin.